quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A relação entre o airbag e os traumas oculares





Não é uma surpresa que os acidentes com automóveis causam um grande número de lesões oculares. E estas lesões oculares, que ocorrem durante acidentes de trânsito, têm aumentado progressivamente. Estatísticas da Sociedade Americana de Trauma Ocular mostram que 8,9% das lesões oculares são causadas por acidentes com veículos automotores. Os acidentes automobilísticos também são a principal fonte de lesões oculares bilaterais, que podem ser causadas pelo acidente e/ou pela abertura dos airbags.

Segundo dados da Seguradora Líder, responsável pelo pagamento do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (Dpvat), o trânsito no Brasil matou 147 pessoas por dia, entre 1º de janeiro e 30 de junho deste ano. Ao todo, 26.894 pessoas morreram nesse período (cerca de 2 mil pessoas a mais que no primeiro semestre de 2010) e 107.403 ficaram com algum tipo de invalidez, número que aumentou em quase 30 mil de um período para o outro. O Brasil é o quinto país em número de acidentes de trânsito no mundo.

Um piscar de olhos é o que melhor ilustra o tempo entre a abertura do airbag e o início do seu desinflar. A operação dura 30 milésimos de segundos, graças à “explosão da bolsa” em uma velocidade média de 300 km/h. O sistema, que funciona como um complemento do cinto de segurança, começa a se popularizar no
Brasil e, em 2014, será obrigatório nos carros novos. Mas exige cuidados para cumprir sua função.

Como se trata de uma “explosão”, os ocupantes de veículos com airbag devem ter cuidado redobrado com a postura dentro do carro. A mais importante delas é o uso do cinto de segurança. Obviamente, ele é indispensável em qualquer situação, mas nos carros com as bolsas protetoras, a pessoa que estiver sem
cinto pode se machucar ainda mais. Achar que pode usar o airbag sem cinto é o erro mais grave. Isso porque a proporção da abertura do airbag é calculada levando em conta o trabalho do cinto de segurança, que segura, e muito, o corpo.

Hoje, diversos estudos e pesquisas têm como objetivo mudar a maneira que os airbags são implantados para reduzir os traumas oculares decorrentes de sua abertura. "Projetistas de sistemas automotivos e de segurança devem continuar a investigação sobre o design de abertura do airbag, visando minimizar o contato visual”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion.

Impacto sobre os olhos

A Fundación Mapfre, por meio de seu Instituto de Segurança Viária, na Espanha, realizou um estudo sobre as lesões oculares e orbitárias provocadas pelo acionamento do airbag em colisões de baixa velocidade, que envolviam condutores usuários de óculos.

A pesquisa teve como objetivo analisar os possíveis riscos e benefícios ocasionados pelo uso de óculos, no momento do disparo do airbag, e de seu choque contra a face do motorista. Ficou demonstrado que o uso combinado do airbag e do cinto de segurança reduz o risco de morte em mais de 50%.

Porém, o estudo demonstra que, em alguns casos, o disparo do airbag pode provocar lesões. Isso acontece, principalmente, porque os condutores mantêm uma distância inadequada em relação ao volante: 26% se situam a menos de 42,5 centímetros (distância olhos ao centro de volante), quando o recomendado, em média, são 45 centímetros.

A possibilidade das pessoas que usam óculos sofrerem lesões mais graves na região ocular, no caso de disparo do airbag, irá depender do tipo de armação e do tipo de lente utilizada nos óculos. Para validar estes dados, os pesquisadores realizaram testes com diferentes vidros e armações. Os resultados mostram que, quando os óculos não se quebram, eles atuam como um agente protetor para os olhos, ainda que esse efeito seja 15% inferior, no caso de óculos sem armação que envolva toda a lente.

Em choques a 30 km/h com óculos tradicionais (de armação fechada), em que ocorre o disparo do airbag, eles permanecem no rosto e na maioria dos casos não se quebram, causando um potencial efeito protetor. Como recomendação final, após a realização dos testes, os pesquisadores orientam os condutores a:

• não usarem lentes de vidro mineral para conduzir porque estas podem se estilhaçar;

• usarem óculos com armação fechada;

• solicitarem assessoria sobre a solidez da armação e a resistência dos vidros empregados nas lentes de óculos;

• manterem uma distância adequada em relação ao volante: uma média de 45 centímetros entre o rosto e o centro do volante.

Outras preocupações

“Quando o assunto é o uso do airbarg, pacientes que já fizeram cirurgias refrativas, de catarata ou de glaucoma devem ser informados do alto risco de sofrerem lesões oculares graves no caso de colisão. Como medida preventiva, devem escolher óculos com maior capacidade de proteção para dirigir um veículo”, informa o oftalmologista Virgílio Centurion.

Além dos traumas oculares, a literatura médica registra casos de queimadura nos olhos, após a abertura dos airbags. Um dos primeiros relatos sobre o problema surgiu no Annals of Emergency Medicine, em 1992, quando um paciente apresentou ceratite química, depois que um airbag do lado do motorista foi acionado. De lá, para cá, outros casos semelhantes foram registrados, mas em menor frequência que os traumas oculares provocados pelos airbags.

Um estudo relevante sobre este tipo de lesão foi feito em 1999, envolvendo lesões oculares provocadas pelo airbag em 97 pacientes. A pesquisa, publicado no Transactions of the American Ophthalmological Society, constatou que nove pacientes (9%) apresentavam ceratite química e cinco deles sofriam com o
problema em ambos os olhos.

"A ceratite é uma 'queimadura' resultante do contato da córnea com a amônia, o hidróxido de sódio e o aerosol, que são emitidos como subprodutos da combustão de sódio, usado para inflar o airbag. Queimaduras resultantes deste processo dependem da quantidade e da duração da exposição da córnea aos componentes alcalinos. A maioria deste tipo de queimadura tem cura, mas a medicina já registra casos extremos, que exigem transplante de córnea e perda da acuidade visual de forma permanente", explica Centurion.

De acordo com informações da indústria automobilística, os airbags recentes estão empregando menos produtos químicos tóxicos (como por exemplo, a azida de sódio), o que diminui o risco de queimar os olhos. E a menos que o acidentado retenha substâncias químicas tóxicas em seus olhos por um período prolongado
de tempo, ele não está susceptível a sofrer danos graves na córnea, como resultado da abertura do airbag.

FONTE: Portal da Oftalmologia - http://www.portaldaoftalmologia.com.br

terça-feira, 19 de julho de 2011

Os olhos também precisam de proteção na neve


Há algumas semanas, o programa de televisão Fantástico estreou um novo quadro, o Planeta Extremo, onde o desafio dos participantes era participar de duas maratonas na Antártica: uma de 42 km e outra de 100 km. Ao término da primeira prova, um dos competidores, que não se adaptou ao uso dos óculos de sol da prova, apresentava graves queimaduras lesões oculares.

Isto porque esquiar, patinar no gelo ou fazer caminhadas em altitudes elevadas pode ser mais difícil para os olhos do que um dia inteiro na praia. “A neve potencializa o efeito dos raios solares, refletindo quase 80% dos raios do sol, enquanto a areia da praia reflete apenas 15%”, explica o oftalmologista Virgílio Centurion.

Há quase um século, os exploradores do Ártico forneceram os primeiros relatos dos efeitos adversos da radiação ultravioleta nos olhos. A cegueira da neve ou snowblindness é o termo empregado para descrever as queimaduras na córnea sofridas por muitos deles devido à grande exposição ao sol e aos reflexos da neve.

“Uma pessoa que se expôs ao sol da montanha pode sentir dor ocular intensa, apresentar olhos vermelhos, aparecimento de halos ao olhar para luz, edema palpebral, aumento do lacrimejamento. Esses sintomas podem levar de 6 a 12 horas para aparecerem. Dependendo da gravidade da lesão e do tratamento recebido, o escalador pode voltar a recuperar a visão em cerca de 18 horas. A superfície corneana leva em média de 24-48h para se regenerar. Mas, infelizmente, há casos onde a cegueira é total e permanente”, alerta Virgílio Centurion.

Para se proteger

A maioria das pessoas já sabe que os raios ultravioleta (UV) podem causar câncer de pele e outros problemas. Mas isso não é tudo. As pessoas não tem conhecimento sobre os danos que os raios UV podem fazer aos olhos. “No verão ou no inverno, as horas de exposição à luz solar intensa podem queimar a superfície do olho, causando uma condição temporária e dolorosa conhecida como ceratite. Ao longo do tempo, a exposição desprotegida pode contribuir para a catarata, assim como para o câncer das pálpebras e de pele ao redor dos olhos”, explica Virgílio Centurion.

A exposição aos raios UV também pode aumentar o risco de degeneração macular, principal causa de cegueira em pessoas com idade acima de 65 anos. Enquanto a catarata pode ser removida cirurgicamente, não há maneira de reverter os danos provocados pelo sol à mácula, área principal da retina.

Exposição sem proteção

A exposição ao sol sem a devida proteção ocular é um tema que preocupa os oftalmologistas cada vez mais. “É preciso investir em informação e em campanhas educativas para sensibilizar grande parte da população. A medida mais simples (e ao mesmo tempo desafiadora) é conscientizar a população sobre a importância de comprar um bom par de óculos escuros, com proteção UV. Preço e estilo não devem guiar esta compra. Há óculos baratos muito apropriados para fotoproteção e outros modelos bem caros que não oferecem proteção alguma”, diz a oftalmologista Roberta Velletri.

A exposição prolongada aos raios UV provoca danos aos tecidos da superfície do olho, bem como à retina e ao cristalino. “Mesmo assim, os órgãos reguladores ainda não encaram os óculos de sol como um instrumento preventivo de doenças oculares. E não há regulamentação sobre o nível de proteção UV que os óculos de sol devam oferecer. Portanto, diante de tantas ofertas no mercado, a proteção oferecida pelos óculos de sol pode variar e até mesmo ser completamente ineficaz”, alerta a médica.

Um critério que deve guiar a compra é olhar as etiquetas dos produtos e verificar se o par de óculos fornece pelo menos "98% de proteção UV" ou “98% de proteção contra raios UVA e UVB." Se não houver nada a este respeito na etiqueta, ou se houver uma mensagem vaga, tal como “proteção UV” ou “bloqueio da luz UV”, melhor não comprar, estes óculos de sol podem não oferecer proteção adequada.

A melhor defesa dos olhos é feita pelos óculos de sol capazes de "bloquear toda a radiação UV até 400 nanômetros, o que é equivalente a 100% de bloqueio dos raios UV”, explica a oftalmologista do IMO.

Escolher o estilo certo para cada tipo de rosto também colabora na proteção contra o sol. “O ideal é que os óculos de sol cubram as laterais dos olhos para evitar que uma luz difusa afete os olhos. Lentes envolventes, que abarcam todo o rosto são as melhores opções, mesmo que este estilo não seja o mais atraente. É recomendável evitar modelos com lentes pequenas, como os famosos óculos de sol de John Lennon”, explica Roberta Velletri.

A fotoproteção não está relacionada ao uso de lentes nos tons mais escuros. “Óculos de sol com lentes nas cores verde, laranja, vermelho, cinza e até trasnparente podem oferecer a mesma proteção que lentes mais escuras. Para evitar distorção de cores, prefira as lentes cinzas”, diz a oftalmologista.

“Se você é freqüentemente afetado pelo brilho do sol durante passeios de barco ou quando está esquiando, deve optar por lentes polarizadas, que bloqueiam as ondas de luz horizontal que criam o brilho. Mas lembre-se, a polarização em si não irá bloquear a luz UV. Certifique-se que as lentes oferecem também 98% ou 100% de proteção UV”, recomenda Velletri.

Se você faz muitas atividades ao ar livre, tais como vela, ciclismo ou jardinagem, deve considerar a compra de um par de óculos de sol com lentes de policarbonato, que são 10 vezes mais duráveis do que o plástico comum ou do que as lentes de vidro.

Evite comprar óculos nas calçadas

Em busca de proteção adequada, evite comprar imitações de grifes famosas das mãos de camelôs. “Um par de imitação que não ofereça proteção UV fará seus olhos sofrerem mais do que se você estivesse sem um óculos de sol. Procure adquirir o seu óculos de sol em locais apropriados”, afirma a oftalmologista.

E em se tratando de fotoproteção, não esqueça as crianças. “Eles podem usar o modelo do super-herói preferido, desde que as lentes ofereçam de 98 a 100% de proteção UV. Crianças com olhos claros são especialmente vulneráveis a danos do sol. A lesão ocular nas crianças é cumulativa, portanto, quando mais cedo a criança adquirir o hábito de usar óculos de sol, melhor”, recomenda.

Se a criança pratica esportes regularmente ao ar livre, é preciso considerar também a compra de óculos de proteção. “As lesões oculares são a principal causa de cegueira em crianças, e a maioria dessas lesões ocorre quando elas estão jogando basquete, beisebol, hóquei no gelo ou praticando esportes que envolvem raquetes”, conta a médica.

Teste o seu modelo antigo

Se você gosta muito do modelo de seus antigos óculos de sol e não deseja se desfazer deles, não deixe de testá-los, para saber que tipo de proteção eles oferecem. “Você deve levá-los a uma ótica com um medidor de UV. Este dispositivo pode medir a proteção UV de seus óculos e ajudar a determinar se você deve comprar um novo par ou não”, defende Roberta Velletri.

Cuidados também devem ser observados em relação às lentes de contato. “Elas devem oferecer proteção UV. Mas é preciso saber que apenas as lentes de contato não fornecem fotoproteção adequada, pois as lentes cobrem (e consequentemente protegem) apenas a córnea, deixando sem proteção a área branca dos olhos (conjuntiva) e a pele ao redor dos olhos)”, alerta a oftalmologista.

Há casos de pacientes idosos que têm crescimento da conjuntiva causado pelos danos provocados pelo sol. “Estas lesões, chamadas de pinguéculas, muitas vezes, levam à irritação nos olhos e ao ressecamento dos mesmos e podem, eventualmente, prejudicar a visão. Para evitar o aparecimento das pinguéculas, é preciso que o paciente que usa lentes de contato, também use óculos de sol ao ar livre”, recomenda Roberta Velletri.

Por último, é preciso alertar os usuários de óculos de grau também. “Para evitar a compra de mais um óculos, o paciente pode revestir suas lentes com proteção UV, assegurando fotoproteção aos óculos que ele já usa”, informa a oftalmologista.

Fonte:http://www.portaldaoftalmologia.com.br/

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O brasileiro e os riscos no trânsito


População desconhece o impacto dos problemas de visão sem diagnóstico e deixa de usar cinto de segurança, aumentando o risco de acidentes.

O trânsito é a terceira maior causa de morte no Brasil. Só fica atrás das doenças cardíacas e do câncer. Uma pesquisa do Ministério da Saúde mostra que em 2010 das 150 mil internações por acidentes, só 43% das pessoas usavam cinto de segurança, sendo 49% homens e 36% mulheres.

O País ocupa a quinta posição no ranking mundial de mortes por acidente. É o que revela um levantamento realizado em 178 nações pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para combater o problema o governo brasileiro aderiu no último dia 11 à Década de Segurança no Trânsito 2011-2020, lançada no mesmo dia pela OMS. A meta é reduzir em 50% os acidentes. O plano de ação vai ser lançado em setembro deste ano.

"A falta de informação e o envelhecimento da população aumentam o desafio desse compromisso”, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, perito em medicina do trânsito e membro da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego. Isso porque, explica, um dos principais complicadores para quem dirige é a perda visual gradativa decorrente da idade. “A visão responde por 85% de todas as informações recebidas durante a condução. É por isso que motoristas com mais 65 anos precisam renovar a carteira a cada três anos e não a cada cinco, como nas menores faixas etárias", avalia.

Diagnóstico precoce

O problema, comenta, é que metade dos condutores só passa por exame de vista quando vai renovar a Carteira Nacional de Habilitação. Dados do DENATRAN (Departamento Nacional de Trânsito) revelam que das 35 milhões de carteiras de habilitação emitidas no País, 12,85% ou 4,5 milhões são para motoristas com idade acima de 55 anos.

A visão de quem já passou dos 50 anos muda muito rápido. Nessa faixa etária a dificuldade para ler placas de sinalização, enxergar o semáforo ou o painel do carro nem sempre está relacionada aos vícios de refração – miopia, hipermetropia ou astigmatismo. Pode sinalizar doenças típicas da terceira idade. As principais são:


Glaucoma
Sintoma: Reduz o campo visual  periférico
Tratamento: colírios e/ou cirurgia

Catarata
Sintoma: afeta a visão de contraste
Tratamento: Implante de lente intraocular

Degeneração Macular úmida
Sintoma: Afeta a visão central
Tratamento: Drogas antiangiogênicas



O diagnóstico precoce dessas doenças, destaca, pode retardar a progressão que leva à perda definitiva da visão nos casos de glaucoma e degeneração macular.

Mais iluminação

O médico afirma que para enxergar bem uma pessoa de 60 anos necessita três vezes mais iluminação que outra de 20 anos. Por isso, para ele o uso de farol baixo durante o dia e à noite previsto no Código de Trânsito Brasileiro só para ônibus, motos, motonetas e ciclomotores, deveria se estender a todos os veículos, visando melhorar a visibilidade no trânsito.

Aos 60 anos a capacidade de enxergar a luz azul e a visão de contraste diminuem porque o cristalino enrijece e começa a amarelar. Além disso, ressalta, a pupila diminui de tamanho, prejudicando a adaptação da visão entre ambientes claros e escuros.

“Para condutores significa que dirigir à noite se torna mais perigoso, a ponto de alguns motoristas terem de interromper a direção noturna”, avalia. Também significa que no entardecer e no amanhecer a dificuldade de adaptação visual é maior. “É por isso na avaliação médica o perito pode estabelecer restrições à direção noturna ou um período menor para a renovação da CNH”, conclui.

Dicas de Segurança

Quem já passou dos 65 anos deve tomar cuidados extras no trânsito. As principais dicas do especialista são:

· Faça exame oftalmológico anualmente.

· Mantenha o grau dos óculos atualizado.

· Evite óculos com armações que limitem a visão lateral

· Para diminuir o ofuscamento ajuste a altura do assento de forma que enxergue 10 metros à frente do veículo.

· Evite dirigir à noite, no entardecer e ao amanhecer.

· Mantenha a cabeça e os olhos em movimento.

· Ajuste os espelhos para se livrar dos pontos cegos.

· Mantenha o pára-brisa, lanternas e faróis limpos.

· Faça caminhada diariamente para manter a boa circulação.


Fonte: Portal da Oftalmologia

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Mau uso dos colírios causa catarata, problemas cardíacos e até a perda visão.


Existem vários tipos do medicamento e nenhum deles é inofensivo.


A maioria das pessoas pensa que eles são inofensivos e usa à vontade, sem nem olhar o rótulo. Pior ainda: tem gente que usa o colírio dos outros na maior despreocupação. Um erro grave, colírio é igual à escova de dentes: cada um precisa do seu para evitar contaminações, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier, hospital especializado em doenças dos olhos desde 1920.
A escolha do medicamento também exige orientação médica. Colírios antibióticos, usados por tempo prolongado, reduzem a resistência imunológica e aumentam a predisposição a úlceras na córnea e a outras infecções, afirma o médico. Já os antiinflamatórios hormonais (com corticóide) podem causar catarata e glaucoma.
Até os populares vasoconstritores, usados para reduzir irritações oculares, aumentam o risco de catarata pelo uso prolongado. Outra surpresa: o uso de pílulas anticoncepcionais à base de estrógeno está relacionado à síndrome do olho seco (quando há baixa na produção de lágrimas), exigindo o uso de umidificadores.
Um estudo conduzido pelo oftalmologista do Instituto Penido Burnier demonstrou ainda que o mau uso do colírio atinge 67% dos tratamentos. Os erros mais comuns são a contaminação do bico dosador pelo contato com o dedo ou mucosa ocular, piscar várias vezes após a instilação (colocando o medicamento para fora dos olhos), automedicação com o colírio inadequado e absorção do medicamento pelo organismo (para evitar efeitos colaterais sobre o organismo é necessário ocluir com o dedo indicador o ducto lacrimal na extremidade interna do olho. Este simples cuidado evita, por exemplo, alterações cardíacas em casos de uso de colírio vasoconstritor).

Que tipos de colírios existem?
Os principais tipos de colírio são: antibiótico, antiinflamatório hormonal (com corticóide) e não hormonal (sem corticóide), antialérgico, vasoconstritor, lubrificante, antiglaucomatoso (para tratamento de glaucoma) e os anestésicos.


Quais deles dilatam a pupila? E quais os riscos de fazer isso mais de uma vez ao dia?
Os colírios que dilatam a pupila são os derivados de adrenalina. Entretanto, a pupila de pessoas que têm maior sensibilidade, comum entre as de olhos claros, pode dilatar após o uso de outros tipos de colírio. O risco do uso freqüente é a ocorrência de uma crise de glaucoma agudo, caracterizada por dor intensa e perda repentina do campo visual. Pode acontecer se a pessoa tiver a câmara anterior rasa (espaço pequeno entre a córnea e a íris).


Contra que problemas os colírios com antiinflamatórios são usados?
São usados nos pós-operatórios e contra a conjuntivite viral, para reduzir o desconforto, e em todos os processos inflamatórios dos olhos como: blefarite (inflamação da pálpebra), irite (inflamação da íris parte colorida dos olhos), episclerite (inflamação do tecido que cobre a esclera - parte branca dos olhos), esclerite (inflamação da esclera) e uveíte (inflamação dos tecidos da uvéa que inclui íris, corpo ciliar e coróide).


No que diferem os sintomas da conjuntivite viral e da bacteriana?
A diferença nos sintomas é a secreção aquosa na conjuntivite viral e amarelada na bacteriana. Além disso, o vírus que provoca a conjuntivite tem apresentado grande poder de replicação, ganhando mais resistência. Há casos de pessoas que ficam por mais de um ano com o vírus nos olhos, replicando-se (o que compromete a região central da córnea e causa baixa acuidade visual). É necessário usar corticóide para combater a inflamação. Mas o uso prolongado é perigoso, porque pode levar à catarata (opacificação do cristalino) e ao glaucoma, doença assintomática que é a maior causa de cegueira irreversível.

Por que os adultos sofrem mais com a conjuntivite viral?
Eles estão mais expostos a situações de estresse que reduzem a imunidade. Além disso, estudos mostram que conforme a idade avança há uma redução de produção da lágrima (cuja função é proteger nossos olhos). Outro fator que contribui para esta maior incidência da conjuntivite viral entre adultos é o uso de lentes de contato, o que também contribui para o maior ressecamento da lágrima.


E os antibióticos, eles combatem que tipos de doenças dos olhos?
Os antibióticos combatem todos os processos infecciosos. O mais comum é a conjuntivite bacteriana, que tem maior incidência no verão. A doença atinge mais as crianças. Isso porque elas costumam ficar por mais tempo na água do mar ou piscinas que muitas vezes está contaminada.


O que muda de um colírio antiinflamatório com corticóide para outro, sem?
A grande diferença está no efeito. O antiinflamatório hormonal (com corticóide) tem uma ação mais agressiva, com maior penetração e maior poder sobre as células inflamatórias. Mas só deve ser usado em casos graves por causa dos efeitos colaterais.


Qual o período máximo que esses produtos podem ser usados sem risco?
Varia de acordo com a fórmula, a doença e a sensibilidade de cada pessoa. Em geral combatem as doenças em até duas semanas, mas devem ser usados sempre com acompanhamento médico. Isso porque, antibióticos, usados por tempo prolongado, reduzem a resistência imunológica e exigem atenção médica por aumentarem a predisposição a úlceras na córnea e a outras infecções. Já os antiinflamatórios hormonais (com corticóide),quando usados prolongadamente, podem causar catarata e glaucoma. Até um colírio vasoconstritor, usado para reduzir irritações oculares, pode causar catarata pelo uso prolongado.


Os efeitos colaterais restringem-se aos olhos?
Quando pingamos colírio, devemos tampar o canal (ducto) lacrimal na extremidade interna do olho. Através deste canal, o medicamento penetra nas mucosas da rino-faringe e passa à circulação sanguínea. Com isso, os princípios ativos passam a agir não apenas nos olhos, mas em todo o organismo. Por isso, pessoas que já têm propensão a alterações cardíacas podem ter o problema agravado com o estreitamento de todas as veias e artérias do corpo ao aplicar um colírio vasoconstritor, por exemplo.


Qual a diferença de ação no aparelho ocular entre um colírio antiinflamatório e um antibiótico?
O colírio antiinflamatório combate processos de inflamação caracterizada por desconforto, coceira, vermelhidão e inchaço causados por vírus, trauma ou resposta a um processo alérgico provocado pelo contato com agentes químicos como
cloro, maquiagem ou cremes. Só são indicados antiinflamatórios hormonais quando em casos graves de inflamação ou alergia. Já o colírio antibiótico combate as infecções que são causadas por bactérias (caracterizadas pelo prurido amarelado nos casos de conjuntivite.

As soluções lubrificantes, para quem usa lentes de contato, oferecem algum risco?
Sem dúvida, quem usa lentes de contato deve lubrificar os olhos com lágrima artificial para reduzir o desconforto causado pela poluição, ar condicionado, horas em frente ao computador e até o uso das lentes por muitas horas. De preferência, ressalta, a lágrima artificial não deve conter conservante para que não cause processos alérgicos que inviabilizam o uso das lentes. As embalagens e bulas trazem esta informação. Todo produto que tem validade após ser aberto contêm fórmula à base de conservantes. Os produtos livres deles são os manipulados que, geralmente, são vendidos em dose única diária, pois na falta de conservantes a vida útil é sempre mínima. Existem só três tipos de conservantes que são usados para todos os tipos de colírio, e algumas pessoas são alérgicas a estas substâncias. A lágrima artificial sem conservante não oferece risco à saúde ocular.


Aquelas loções, no estilo Renu, podem ser usadas sem medo?
A manutenção das lentes de contato deve combinar solução multiuso e limpador enzimático para garantir que as lentes fiquem livres de depósitos protéicos, principalmente para quem troca de lente anualmente ou tem filme lacrimal oleoso. Estudos demonstram que só a solução multiuso não é suficiente para eliminar totalmente os depósitos protéicos das lentes. Mas há casos de desenvolvimento de alergia às substâncias dessas soluções, por isso a adaptação às lentes deve ter acompanhamento médico, ressalta. Além disso, a qualquer desconforto, o uso das lentes deve ser interrompido e há necessidade de uma consulta para verificar se houve alguma alteração importante na saúde dos olhos.


As fórmulas no estilo Moura Brasil e Lavolho servem para quê? Elas também são perigosas?
Estes colírios são vasoconstritores, usados para reduzir irritação ocular que pode ser provocada por diversos agentes. Só devem ser usados sob prescrição médica porque, ao deixarem os olhos brancos, podem mascarar doenças e pode causar a catarata. Esse tipo de colírio também causa contaminação ocular, porque geralmente é usado por toda família, um erro. Colírio é igual à escova de dentes, cada pessoa deve ter o seu para evitar que aconteçam contaminações.


Quem trabalha em frente ao computador tem como se prevenir dos olhos secos?
Nossos olhos não foram feitos para fazer leitura vertical. Não é à toa que 75% dos usuários de computador têm Síndrome da Visão no Computador (CVS). As principais recomendações do médico para evitar o ressecamento da lágrima são:
- Posicionar o monitor de 10 a 20 graus abaixo do nível dos olhos.
- A cada hora, descansar de 5 a 10 minutos, saindo de frente do computador.
- Piscar voluntariamente quando estiver usando o micro.
Os cuidados que reduzem o cansaço visual são:
- Manter a tela do monitor à distância de 60 cm dos olhos.
- O monitor não deve ficar de frente para a janela, pois a luminosidade causa ofuscamento, e nem de costas (a posição forma sombras e reflexos que causam desconforto).
- Evitar excesso de luminosidade das lâmpadas e luz natural, pois as pupilas se contraem e geram cansaço visual.
- Regular sempre a tela com o máximo de contraste, e não de luminosidade.
- Manter a tela do monitor sempre limpa.


O que pode ocasionar uma baixa na produção de lágrimas?
A redução na produção de lágrima pode estar relacionada a fatores externos excesso de ar condicionado, ar seco típico do inverno, uso intensivo do computador e uso de alguns medicamentos, como antialérgicos e pílulas anticoncepcionais feitas só com estrógeno. A reposição hormonal feita só com este hormônio também aumenta o olho seco. Fiz um estudo que demonstra o seguinte: mulheres na pós-menopausa que fizeram a reposição hormonal associando estrogênio e progesterona apresentam 35% menos olho seco, em comparação às que utilizaram apenas o estrogênio. Quem usa medicamentos para tratamento de disfunções da tireóide e diabéticos que tomam medicamentos hipoglicêmicos também têm redução da produção lacrimal.

Por que as lentes gelatinosas ressecam os olhos?
As lentes hidrofílicas, embora mais confortáveis, hidratam-se da própria lágrima e podem causar o desconforto do olho seco a qualquer pequena redução da produção lacrimal. Vale lembrar que, durante a noite, a produção de lágrima é menor. Por isso, ele diz que dormir com lentes de contato pode agravar ainda mais o olho seco.

Que tipo de colírio pode ser usado contra irritação da água do mar, da piscina ou de ambientes poluídos?
O mais indicado é usar compressas frias feitas com água potável. Não desaparecendo a irritação em dois dias, procure um oftalmologista.

Ficar sem usar colírio, com os olhos irritados, faz mal?
Certamente. Quando a irritação persiste por mais de dois dias usando compressas frias, com água filtrada, é sinal de que há uma doença latente que deve ser tratada com medicamentos. Importante ressaltar que nenhum colírio deve ser usado sem prescrição e acompanhamento médico. O brasileiro ainda acredita que colírio é uma água refrescante. Mas se trata de um medicamento, que exige controle de um especialista para prevenir lesões.

Matéria publicada na revista "Minha Saúde"

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Brasil necessita de 650 mil cirurgias de combate à catarata por ano

Mais de 50% da população acima dos 60 anos desenvolve a doença. Cegueira no país pode aumentar nos próximos anos. De acordo com o International Agency for the Prevention of Blindness/Agência Internacional para a Prevenção de Cegueira (IAPB/OMS), para que a catarata não se torne uma causa significativa de cegueira, existe um número mínimo de cirurgias que devem ser realizadas. Os países em desenvolvimento devem fazer cerca de 650 mil cirurgias por ano.

Para trazer os dados à realidade brasileira são necessárias cerca de 650 mil cirurgias ao ano para controle da doença. No período de 2004 até 2009, ocorreram aproximadamente 420 mil cirurgias/ano. A partir de 2006, o acesso às cirurgias foi limitado pelo Sistema Único de Saúde e em 2008 ocorreram apenas 200 mil cirurgias (além de outras 100 mil pelo sistema privado), fato que contribui para que o número de cegos por catarata aumente novamente nos próximos anos.

O envelhecimento da população brasileira tem gerado uma necessidade maior de oportunidades de cirurgia de catarata em pessoas acima de 50 anos. A necessidade será quatro vezes maior até 2020, ou seja, se medidas não forem tomadas no futuro próximo o número de pessoas necessitadas de cirurgia será enorme.

Para evitar que a catarata seja a principal causa de cegueira no país é recomendada a cirurgia como solução para a doença e preservação da visão, uma vez que não possui tratamento clínico, e deve ser realizada quando há perda da qualidade de vida e limitação das atividades diárias. A cirurgia no Brasil é bem desenvolvida e graças às inovações tecnológicas, atualmente, os resultados são mais eficazes aos pacientes.
FONTE:http://www.portaldaoftalmologia.com.br/site/site2010/index.php?option=com_content&view=article&id=419:brasil-necessita-de-650-mil-cirurgias-de-combate-a-catarata-por-ano&catid=41:noticias&Itemid=77

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Catarata pode afetar também as crianças


A doença pode ser diagnosticada já nos primeiros momentos de vida

Apesar de se manifestar comumente a partir dos 50 anos de idade, a catarata não é um problema exclusivo dos adultos. As crianças podem nascer com o cristalino - lente natural do olho - opaca, podendo ter a visão embaçada e as cores esmaecidas ainda na infância, segundo especialistas do Hospital Oftalmológico de Brasília.

Muitas vezes causadas por doenças na gravidez, como a rubéola, o citomegalovirus (CMV) e outras infecções, ou relacionadas a fatores genéticos, a catarata congênita exige tratamento urgente, para evitar a perda parcial ou total da visão. "A estrutura ocular perfeita é desenvolvida até os três meses de idade, e a catarata congênita, se não diagnosticada a tempo, pode prejudicar esse desenvolvimento, impedindo que a criança desenvolva uma visão de boa qualidade ao longo da vida", explica a oftalmopediatra Virgínia Cury.

De acordo com a especialista, a melhor forma de prevenir ou diagnosticar a catarata congênita em tempo de tratar é fazendo o acompanhamento pré-natal e o exame ocular no recém-nascido, pois a doença pode ser diagnosticada já nos primeiros momentos de vida, no exame do olhinho, obrigatório por lei em todas as maternidades brasileiras.

"Muitas vezes, a própria mãe percebe que há algo de anormal com o olho de seu filho durante o cuidado cotidiano. Já tive casos em que mães chegavam ao consultório afirmando que perceberam uma diferença na coloração da pupila da criança, quase imperceptível a olho nu", destaca a oftalmopediatra. "É importante que a mãe vá a todas as consultas e faça todos os exames exigidos no pré-natal para que se consiga prever alguma irregularidade no desenvolvimento da criança e para que, ao nascer, possam ser tomadas as devidas providências, evitando a perda da visão do bebê", acrescenta.

Catarata Infantil

A catarata também pode acometer crianças na média infância. Fatores como heranças genéticas, traumas oculares, inflamações dentro do olho (uveítes) e o uso inapropriado de medicamentos corticoides podem desenvolver a opacidade no cristalino.

A especialista ressalta que, apesar de silenciosa, a catarata infantil tem sintomas que podem ser percebidos tanto pela criança quanto pelos pais ou professores. "O paciente apresenta baixa visão, embaçamento, dificuldade para enxergar. A criança também pode apresentar dificuldade para reconhecer pessoas perto ou para ver televisão. Há situações em que pais descobrem que há algo errado com os olhos dos filhos ao tirar fotos e perceberem um reflexo branco na imagem. Em todos os casos, é importante trazer imediatamente a criança para uma avaliação médica", conclui a médica.


Autor: ATF Comunicação Empresarial
Fonte: Site Boa Saúde

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Catarata sob controle


Uma pesquisa realizada pelo departamento de oftalmologia e ciências visuais da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, mostrou que mulheres que ingeriam boa quantidade de luteína (substância antioxidante presente em gema de ovo, kiwi, mamão, espinafre, brócolis e outros vegetais verdes) reduziram em 23% o risco de desenvolver catarata. Hoje, é comum os médicos prescreverem suplementos nutricionais à base de um tipo de luteína extraída da calêndula para prevenir e combater a degeneração da parte posterior da retina, provocada pela idade e pelo excesso de sol. Quem já tem catarata pode apostar em uma nova cirurgia que, além de corrigir o problema, dispensa o uso de óculos.


Mais enformações entre em contato: Dr. Paulo Silvério - 31-3283-9859

FONTE: SIS SAÚDE - http://www.sissaude.com.br/sis/inicial.php?case=2&idnot=8240